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O processo de fabrico


 
Extracção A Pasta Modelagem Decoração Cozedura

A Modelagem
É então que o oleiro passa para a roda, sobre a qual coloca as pélas, com a intenção de as modelar no formato que pretende.

Apesar de a roda tradicional ser movida pela força exercida através de um dos pés do oleiro, numa espécie de pedal situado na parte de baixo da mesma, hoje em dia, à excepção do oleiro José Pequito, que utiliza somente este sistema, os restantes renderam-se já, de certa forma, às rodas eléctricas, que utilizam a par das tradicionais. Neste processo de modelagem, o oleiro tem junto de si, sobre a atoquina, um barranhão (pequeno recipiente de barro com água, onde o oleiro vai molhando as mãos por forma a conservá-las limpas do barro pegajoso, mas também húmidas, para conferirem plasticidade à pasta, à medida que a mesma vai sendo trabalhada). 


Durante o Inverno, o Oleiro socorre-se ainda de um pequeno fogo, que tem perto de si, de forma ao barro não estriar com o frio. Depois de moldada a peça a seu gosto, mas ainda na roda, o oleiro utiliza então uma aplanata (pedaço de feltro) e uma cana para a aperfeiçoar: enquanto a aplanata alisa ao mesmo tempo que fornece alguma humidade à peça, a cana serve apenas para alisá-la, retirando-lhe saliências ou pequenas covas, por forma à sua superfície ficar o mais plana possível. 


Seguidamente, a peça é separada ou cortada do soco da roda, com uma linha presa a um pequeno pau – ou apenas através das mãos do oleiro, quando se trata de peças de grande porte – para ir para o enxugo, ou seja, ser exposta ao Sol a secar, para posteriormente levar um banho de barro vermelho, o chamado tingir da loiça, que lhe dá a cor corada e avermelhada, ao invés da sua cor parda natural. Caso as peças tenham asas ou bicas (bicos), então, antes de as tingir de vermelho, o oleiro deixa-as a secar ao Sol mais tempo, durante cerca de doze horas, e só depois lhes cola estes acabamentos. As asas são as únicas partes da peça que não são feitas no roda, pois o oleiro molda-as com lamuge, que é um barro mais fino e maleável que retira das mãos e dos instrumentos de trabalho quando os limpa, e que é colocado de parte, na beira da atoquina: molhando as mãos na água do barranhão, o oleiro vai puxando esse barro para si, até conseguir uma tira em forma de asa, que corta com os dedos, e cola à peça, novamente com um pouco de lamuge, alisando de seguida os remates com a cana. 


Nestes casos, as peças vão a enxugar novamente ao Sol e só depois recebem o banho do barro vermelho. 


O tingimento
Para preparar a tinta do tingimento, o oleiro dissolve o barro vermelho em água, durante algumas horas (as quantidades são calculadas a olho, por forma a obter-se uma tinta fina e ligeiramente compacta), e depois passa-o por uma peneira de seda, que o livra das impurezas. A tinta é então colocada numa espécie de alguidar, no qual se emergem as peças, normalmente começando pelas asas, depois continuando pelo bordo e o colo, e terminando no bojo e na base. Já nas peças de maior porte, é utilizada a aplanata (bem embebida, para cobrir de tinta toda a superfície exterior das peças). Depois, põem-se as mesmas a enxugar ao Sol, ou até mesmo dentro da oficina, até que a tinta seja bem absorvida e se possa então proceder ao polimento da peça, antes de estar totalmente seca, processo no qual se puxa o lustro ao barro friccionando-o repetidamente com as mãos molhadas. Todo este processo de tingimento e polimento fica já muitas vezes a cargo da mulher do oleiro, ou de uma operária, que posteriormente procederá à decoração da peça, quando a mesma estiver com a consistência suficiente para receber as pedrinhas de quartzo.



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  Já na roda, o oleiro José Pequeito começa a moldar a peça

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  Barranhão - recipiente onde o oleiro molhas as mãos

  Cana: utensílio utilizado pelo oleiro para alisar a peça
  Processo de tingimento da peça com barro vermelho, utilizando a aplanata
 

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