English


Museu Colecção Bordado barro Loja Acontece
  História Processo Potes de Roça Vídeo
logo

O processo de fabrico


 
Extracção A Pasta Modelagem Decoração Cozedura

A Decoração
Sempre levada a cabo por experientes e delicadas mãos femininas, é sem dúvida a técnica da decoração empedrada das peças que lhes confere um verdadeiro cunho artístico e original. 


Requerendo tal labor muita paciência e mestria, fica normalmente a cargo da mulher do oleiro, que pode eventualmente ter sob sua orientação outras operárias pedradeiras (que metem as pedrinhas de quartzo nas peças), pagas à peça, e que podem trabalhar na oficina do oleiro ou mesmo nas suas próprias casas. 


Pedra
A pedra branca utilizada na ornamentação é um Quartzo Leitoso: rocha pneumatolítica e filoliana, intercalada nos Xistos das Beiras, e que tradicionalmente se vai buscar à vizinha Serra de S. Miguel. Sendo um mineral bastante duro, é necessário cozê-lo no forno, a altas temperaturas – no forno tradicional utilizava-se lenha grossa, mas hoje em dia todos os oleiros utilizam já fornos eléctricos – de forma a tornar a pedra mais friável, facilitando assim a sua trituração e moagem. Após ter arrefecido, e com a ajuda de um paralelepípedo de granito, normalmente sobre uma laje do chão da oficina destinada a esse fim, as mulheres procedem então à trituração do Quartzo (agora já com a cor branca final, devida também à cozedura). Desfazem-no em pequenas pedrinhas, que vão depois passar por crivos, de modo a ficarem divididas em três tipos ou calibres: pedra de 1ª, de 2ª e de 3ª (ou grossa), com diâmetros aproximados de 1/2 mm, 2/3 mm e 3/4 mm, respectivamente. Chama-se a isto, esmigalhar e apurar o Quartzo.

Desenho
A operária (normalmente é a mulher do oleiro que tem todo o trabalho criativo, acabando por ter um estatuto mais elevado que o das restantes operárias e supervisionando o seu trabalho de mera execução técnica) começa por riscar, a seu gosto e com incrível precisão, a peça de barro, utilizando para tal uma agulha de coser, mas também dedais, tampas ou casquilhos de lâmpadas – aplicados estes no desenho das formas circulares – resultando tudo num conjunto de elementos muito bem delineado e encadeado, que posteriormente será preenchido com os pequenos fragmentos de quartzo ou com simples reticulado inciso. No fundo, é este desenho que dita em grande parte a qualidade artística do produto final. 


Pedrar
Com a peça não completamente seca, mas já a apresentar a consistência necessária para não se deformar com a manipulação, nem se vir a retrair demasiado uma vez os fragmentos já incrustados, as pedras são então introduzidas no barro, ao longo dos riscos. A forma correcta de o fazer é com a parte mais pontiaguda para dentro, deixando virada para o exterior a sua face mais plana, e pressionando-se depois as mesmas com a unha do polegar ou do indicador, por forma a que fiquem bem presas e não salientes. De resto, ao passar a mão pela face da peça depois de empedrada, a mesma deve estar o mais lisa possível, ou seja, com a superfície toda ao mesmo nível.

No caso das peças arredondadas, a tarefa de empedrar é normalmente levada acabo no colo da pedradeira, enquanto no caso das peças planas, como pratos e travessas, a mesma tem lugar sobre uma mesa.

Após a peça completamente pedrada, são então preenchidos o interior de alguns desenhos, ou motivos, com um reticulado inciso, feito com a agulha de coser, e muitas vezes é mesmo desenhado um segundo risco à volta dos motivos. 

1

Pedras de quartzo, que posteriormente serão triiturdas em pequenos fragmentos utilizados na decoração das peças.

2

A operária, normalmente a mulher do oleiro, risca a peça com uma agulha de coser, executando os desenhos que pretende.

1

A operária introduz as pedrinhas de quartzo ao longo dos riscos feitos na peça, sempre com a parte mais pontiaguda para dentro e depois pressiona-as com a unha do polegar.

A operária escolhe as melhores pedrinhas para incriustar na peça, obtendo assim uma decoração mais homogénia.

1

Execução do reticulado inciso final com agulha, para preenchimento de certos desenhos.


A

 

© 2009 Câmara Municipal de Nisa